Os Povos Germânicos
Cornelius Tacitus (55-117?), ou Cornélio Tácido, era um historiador romano, provavelmente nascido em Roma. Tudo o que se sabe sobre ele provém de referências sobre si mesmo em seus trabalhos e de cartas escritas a ele pelo estadista e orador romano Plínio, o Grande. Parece que Tacitus ocupou os postos de questor em 79, pretor em 88 e cônsul em 97. Acredita-se que ele tenha sido procônsul ou governador das províncias romanas na Ásia em 112-13. Os últimos anos de sua vida foram dedicados principalmente à redação de seus trabalhos históricos dos quais menos da metade ainda existem.
O mais antigo trabalho conhecido de Tacitus é o Dialogus de Oratoribus (Diálogo de Oradores), escrito provavelmente em 81, valioso por sua descrição da educação romana. Vita Iulii Agricolae (Vida de Agricola, por volta de 98), um relato da vida de seu sogro, o estadista e general romano Gnaeus Julius Agricola, é um exemplo da escrita biográfica romana. O terceiro de seus curtos trabalhos, que foi inteiramente preservado é Germania (Germânia, por volta de 98), uma monografia da etnografia Germânica.
Historiae (Histórias), o primeiro dos dois grandes trabalhos de Tacitus, aparentemente publicado entre 104 e 109, trata da história do Império Romano de 69 d.C. até o assassinato do imperador Domitílio em 96. Seu trabalho mais característico, comumentemente chamado de Annales (Anais, cerca de 115-17) trata da história dos imperadores Julianos de Tibério até Nero, abrangendo os anos de 14 d.C. até 68.
O grande poder de Tacitus como historiador relaciona-se com sua introspecção psicológica e os brilhantes retratos de caráter. Seu estilo combina concisão e expressões vívidas. Ele exaltava os ideais da República Romana e forneceu retratos profundamente críticos de muitos dos imperadores romanos.
Segue abaixo trechos dos livros Agricolae e Germania, no qual Tacitus nos dá uma descrição bem precisa dos costumes do povo Germânico. Evidentemente sob o ponto de vista crítico de um romano.
Os habitantes. Origens do nome Germânia
Os germânicos, em suas antigas canções, a única maneira pela qual poderiam lembrar ou recordar o passado, celebram um Deus nascido na terra chamado Tuisco e seu filho Mannus como a origem de sua raça, como seus fundadores. Para Mannus eles atribuíram três filhos, cujos nomes, segundo eles, dariam nomes às tribos. As tribos costeiras são chamadas Ingavões (Ingaevones), as do interior de Hermitões (Herminones) e todo o resto de Istavões (Istaevones). Alguns, com a liberdade de conjectura permitida pela antigüidade, afirmam que o Deus teve vários descendentes, e a nação diversos nomes, tais como Marsi, Gambrivii, Suevi, Vandilij, e que estes antigos nomes são nove. O nome Germânia, por outro lado, que eles dizem ser moderno e recentemente introduzido, provém do fato das tribos que primeiro cruzaram o Reno e expulsaram os Gauleses (franceses), e são agora os chamados Tungrianos, eram então chamados Germânicos. Assim o que era o nome de uma tribo, e não de uma raça, gradualmente prevaleceu, até todos chamarem a si próprios por este auto-inventado nome de Germânicos, que os conquistadores tinham primeiramente empregado para inspirar terror.
As Canções de Guerra Nacionais
Dizem que Hércules, também, uma vez os visitou; e quando se dirigem para a batalha, entoam ele como o primeiro de todos os heróis. Possuem também canções em cujas narrações (chamado baritus) despertam sua coragem, enquanto que nas melodias eles profetizam o resultado do conflito que se aproxima. Enquanto gritam enfileirados, eles inspiram ou parecem alarmados. Não é muito um som articulado, mas um grito geral de bravura. Eles almejam principalmente uma melodia estridente e um urro confuso, colocando seus escudos na boca, para que, por reverberação, possa expandir-se em um som mais forte e grave.
Características Físicas
As tribos germânicas são livres de quaisquer taras por casamentos com pessoas de nações estrangeiras e aparecem como uma raça distinta, sem mistura, como nenhuma além da sua própria. Portanto, também há as mesmas peculiaridades físicas em toda parte de tão vasta população. Todos têm aterradores olhos azuis, cabelos ruivos, enorme ossatura, conveniente apenas para uma esforço abrupto. Eles são menos capazes de arcar com trabalho árduo. Calor e sede eles não podem de modo algum suportar; para o frio e fome seu clima e solo os habituou.
Clima e Solo. Metais Preciosos
Seu país, embora relativamente variado em aparência, no entanto geralmente ou está cheio de florestas ou está impregnado com a umidade fétida dos pântanos; é mais chuvoso no lado dos Gauleses, mais frio para os lados de Noricum e Pannonia. É produtivo em grãos, mas desfavorável para árvores frutíferas; é rico em manadas e rebanhos, mas estes são em sua maioria menores que o normal, e mesmo o gado não possui sua beleza natural ou cabeça nobre. Seu número é sobretudo valorizado; eles são de fato os mais altamente prezados, de fato as únicas riquezas que pessoas possuem. Prata e ouro os deuses recusaram a eles, se em gentileza ou em cólera não posso afirmar. Não afirmaria que nenhum veio do solo germânico produza ouro ou prata, por quem já foi feita uma busca? Eles preocupam-se bem pouco em possuí-los ou usá-los. Pode-se vê-los entre navios de prata, que haviam sido presenteados a seus enviados e capitães, considerados por eles tão baratos quanto aqueles de barro. As populações das fronteiras, entretanto, valorizam ouro e prata como utilidade comercial, e estão familiares e mostram preferência por algumas de nossas moedas. As tribos do interior usam práticas de permuta de mercadorias mais simples e antigas. Eles gostam de dinheiro antigo e bem conhecido, moedas fabricadas, ou mostrando-se uma biga de dois cavalos. Eles também preferem prata a ouro, não devido a qualquer gosto em especial, mas porque um grande número de peças de prata é mais conveniente para ser permutado entre os negociantes com os artigos comuns e baratos.
Armas, Manobras Militares e Disciplina
Até mesmo o ferro não é abundante para eles, quando nós inferimos quanto ao caráter de suas armas. Mas poucos usam espadas ou longas lanças. Eles carregam um arpão (framea é o nome que dão a ele), com a ponta estreita e curta, mas tão afiada e fácil de manejar que a mesma arma serve, de acordo com as circunstâncias, para conflitos de perto ou à distância. Enquanto para o soldado cavaleiro, este está satisfeito com um escudo e um arpão; os soldados à pé também espalham chuvas de projéteis, cada homem tendo vários deles e lançando-os a uma distância imensa, e estando nus ou levemente trajados de uma pequena capa. Não há exibição de seus equipamentos; seus escudos sozinhos são marcados com cores bem selecionadas. Uns poucos têm corseletes, e apenas um ou dois às vezes um capacete de metal ou couro. Seus cavalos não são notáveis nem pela beleza, nem pela rapidez. Nem são ensinadas a eles as diversas evoluções como a nosso modo, mas são conduzidos em linha reta para frente, ou então para fazer uma conversão para a direita em tal corpo compacto que nada de espaço é deixado um atrás do outro. No geral, alguém diria que sua força principal é sua infantaria, que luta junto com a cavalaria; admiravelmente adaptada à ação da cavalaria é a rapidez de certos soldados à pé, que são escolhidos dentre toda a juventude de seu país, e colocados à postos na posição da linha de frente. Seu número é fixo - cem de cada cantão; e destes eles recebem seus nomes dentre os seus camponeses, para que o que era originalmente um mero número não se torne um título de distinção. Sua linha de batalha é colocada em ordem de batalha semelhante à formação de uma cunha. Retirar-se, contanto que se volte ao ataque, é considerado prudência antes de covardia. Os corpos de seus assassinados eles dão cabo mesmo em combates indecisos. Abandonar seu escudo é o mais básico dos crimes; nenhum homem pode assim desgraçado ser apresentado aos rituais sagrados ou entrar em seu conselho; muitos, de fato, após escapar da batalha, têm terminado suas infâmias com o enforcamento.
Governo. Influência feminina
Eles escolhem seus reis por nascimento, seus generais por mérito. Estes reis não têm poder ilimitado ou arbitrário, e os generais fazem mais por exemplo do que por autoridade. Se eles são enérgicos, se eles são proeminentes, se eles lutam na linha de frente, eles estão à frente porque são admirados. Mas para repreender, aprisionar, até mesmo chicotear, isso é permitido somente aos padres, e não como punição, ou por ordem do general, mas como delegação de Deus que eles acreditam inspirar o guerreiro. Eles também carregam com eles para batalha certas figuras e imagens retiradas de seus bosques sagrados. E o que mais estimula sua coragem é que suas esquadras ou batalhões, ao invés de serem formadas por acaso ou por reunião acidental, são compostas por famílias ou clãs. Perto deles, também, estão aqueles mais queridos por eles, de forma que ouvem os gritos das mulheres, os choros das crianças pequenas. Estes são para todo homem as mais sagradas testemunhas de sua bravura - eles são seus mais generosos aclamadores. O soldado traz seus ferimentos para a mãe e a mulher, que não se acovardam que se conte com elas ou mesmo que se exija delas e também administram a comida e encorajam para os combates.
A tradição diz que tropas já hesitantes e desmoronadas têm sido reagrupadas pelas mulheres que, com fervorosas súplicas e seios à mostra, têm ativamente representado os horrores da escravidão, a qual os germânicos temem com tal extrema veneração em nome de suas mulheres, com a mais forte ligação que tal condição requere de um ser, entre o número de reféns, donzelas de descendência nobre.
Eles até mesmo acreditam que o sexo possui certa santidade e presciência (conhecimento prévio do futuro), e eles não menosprezam seus conselheiros ou dão menos importância às suas respostas. Nos dias de Vespasian, eles viram Veleda, há muito tempo considerada por muitos como uma divindade. Nos tempos passados, também veneravam Aurínia, e muitas outras mulheres, mas não com bajulações servis, ou com falsas idolatrias.
Deuses
Mercúrio é o Deus a quem eles cultuam principalmente, e em certos dias eles julgam como certo sacrificar a ele até mesmo vítimas humanas. Hércules e Marte eles satisfazem com oferendas mais lícitas. Alguns dos Suévios também sacrificam para Ísis. Da ocasião e origem deste rito estrangeiro eu não descobri nada, mas que a imagem, talhada como um navio, indica um culto importado. Os Germânicos, entretanto, não consideram consistente com a grandeza dos seres celestiais confinar os Deuses entre paredes, ou compará-los com a forma de qualquer fisionomia humana. Eles consagram florestas e bosques, e usam nomes dos Deuses como abstração do que vêem no culto espiritual.
Pressentimentos e Métodos de Adivinhação
Presságio e adivinhação tirando a sorte nenhuma pessoa exercita mais estudiosamente. O uso de jogos da sorte é simples. Um pequeno ramo é cortado de uma árvore frutífera, e por sua vez cortado em pequenas partes; estas são distinguidas por certas marcas, e jogadas sem cuidado e ao acaso sobre uma peça de roupa branca. Nas questões públicas o sacerdote de uma posição particular, em particular o pai da família, invoca os Deuses, e, com seus olhos em direção ao céus, encurta cada pedaço três vezes e encontra neles um significado conforme a marca previamente impressa neles. Se eles mostram ser contrários, não há mais consultas naquele dia sobre o problema; se eles aprovam, a confirmação do presságio é ainda necessária. Também é familiar a eles a prática da consulta da melodia e vôo dos pássaros. É peculiar a essas pessoas solicitar presságios e advertências dos cavalos. Mantidos às custas públicas, nestas mesmas florestas e bosques, estão cavalos brancos, puros da desgraça do trabalho terrestre; eles são emparelhados em um carro sagrado e acompanhados pelo sacerdote e o rei, ou chefe da tribo, que observam seus relinchos e roncos. Em nenhuma espécie de presságio confiasse mais, não somente pelo povo e nobreza, mas também pelos sacerdotes, que se consideram como ministros dos Deuses, e os cavalos como conhecedores de suas vontades. Possuem também um outro método de observação de prenúncios, pelo qual eles procuram ficar sabendo o resultado de um guerra importante. Tendo tomado, por quaisquer meios, um prisioneiro da tribo com a qual estão em guerra, eles colocam-no para brigar contra um homem escolhido de sua própria tribo, em que cada combatente utiliza armas de seu país. A vitória de um ou outro é aceitada como uma indicação do resultado.
Conselhos
As despeito de problemas menores, os chefes deliberam sobre os mais importantes para toda tribo. Até mesmo quando a decisão final depende das pessoas, a questão é sempre inteiramente discutida pelos chefes. Eles se reúnem, exceto em casos de emergência inesperada, em certos dias fixos, ou na lua nova ou cheia; consideram isso como período favorável para a transação de negócios. Ao invés de cálculos por dias como nós fazemos, eles calculam por noites, e desta maneira fixam ambos seus compromissos jurídicos ou rotineiros. Consideram a noite como a ocasionadora do dia. A autonomia deles tem esta desvantagem, uma vez que eles realmente não se reúnem simultaneamente ou quando são convidados, mas com dois ou três dias perdidos em atrasos da assembléia. Quando a multidão acha apropriado, eles sentam-se armados. O silêncio é proclamado pelos sacerdotes, que têm nestas ocasiões o direito de manter a ordem. Então o rei ou o chefe, de acordo com a idade, nascimento, e distinção na guerra, ou eloqüência, é ouvido, mais porque ele tem influência em persuadir do que porque ele tem poder para comandar. Se seus pontos de vista os descontentam, eles os rejeitam com murmúrios; se eles estão satisfeitos, eles brandeiam seus arpões.
Punições. Administração da Justiça
Nos seus conselhos uma acusação pode ser submetida à apreciação ou um crime capital acionado. As penalidades são distinguidas de acordo com a transgressão. Traidores e desertores são enforcados em árvores; o covarde, o avesso à ser guerreiro, o homem maculado com defeitos abomináveis, é lançado no lodo do pântano com um obstáculo colocado sobre ele. Esta distinção em punição significa que o crime, em sendo punido, eles acreditam, deve ser exposto, enquanto a infâmia dever ser enterrada fora de vista - transgressões leves, também, têm penalidades proporcionais a elas; aquele que é sentenciado, é multado com um certo número de cavalos ou gado. Metade da multa é paga ao rei ou ao estado, metade à pessoas cujos danos estão vingados e para seus parentes. Nestes mesmos conselhos eles também elegem o chefe dos magistrados, que aplica a lei nos cantões e nas cidades. Cada uma destas tem cem associados escolhidos entre as pessoas, que apoiam seus conselhos e influências.
Treinamento da Juventude
Eles não efetuam nenhuma transação de negócios público ou privado sem estar armados. Não é, entretanto, usual para nenhum deles portar armas até que o estado tenha reconhecido a sua capacidade para tanto. Então, na presença do conselho, um dos chefes, ou o pai do jovem, ou algum parente, equipa-o com um escudo e um arpão. Estas armas são o que a toga é pra nós, a primeira honraria com que um jovem é vestido. Até esta época ele é considerado como um membro do lar, após isso como um membro da comunidade.
Descendência muito nobre ou grandes serviços prestados pelo pai garantem aos rapazes o posto de chefe. Tais jovens atribuem a si próprios como homens de força desenvolvida e bravura de muito tempo comprovada. Não há humilhação em ser visto entre seguidores de um chefe. Mesmo em seu comboio existem gradações de postos, dependendo da escolha do homem para quem eles são designados. Estes seguidores competem sutilmente uns com os outros para quem irá figurar em primeiro lugar com seus chefes, e os chefes para quem irá ter o maior número e os mais corajosos seguidores.
É uma honraria bem como uma fonte de força estar assim sempre cercado por um grande corpo de jovens selecionados; é um ornamento na paz e uma defesa na guerra. E não apenas na sua própria tribo mas também nos estados vizinhos a reputação e glória de um chefe é distinguida pelo número e bravura de seus seguidores, por tal fato um homem é cortejado pelas embaixadas, é honrado com presentes, e o muito prestígio de seu nome freqüentemente decide uma guerra.
Veemência Militar do Povo
Quando vão para batalha, é uma desgraça para o chefe ser ultrapassado em bravura, uma desgraça para seus seguidores não equipararem-se à bravura do chefe. E é uma infâmia e uma vergonha por toda vida ter sobrevivido em lugar do chefe, e retornado do campo. Para defendê-lo, protegê-lo, para atribuir os próprios feitos de bravura de alguém em sua reputação, o máximo é a lealdade. O chefe luta pela vitória, seus súditos lutam por seu chefe. Se a pátria estado cair em preguiça de prolongada paz e tranqüilidade, muitos de seus jovens nobres voluntariamente procuram aquelas tribos que estão travando alguma guerra, ambos porque a inércia é repulsiva para sua raça, e porque eles ganham fama mais facilmente no meio do perigo, e não podem manter um número de adeptos a não ser pela violência e guerra. De fato, homens olham para a liberalidade de seu chefe por seus cavalos de guerra e sua lança vitoriosa e tingida de sangue. Festas e divertimentos, que, embora deselegantes, são abundantemente guarnecidas, são seu único pagamento. Os meios desta recompensa provêm da guerra e saques. Nem eles são tão facilmente persuadidos em arar a terra e esperar pela produção do ano, como desafiam um inimigo e ganham a honraria dos ferimentos. Não apenas isto mas também eles acham de fato humilde e estúpido adquirir pelo suor do trabalho pesado o que eles podem ganhar por seu sangue.
Hábitos em Tempos de Paz
Sempre que não estão lutando, eles passam muito de seu tempo na caça, e ainda mais no ócio, dedicando-se completamente a dormir e a festejar; os mais bravos e a maioria dos guerreiros não fazem nada, e rendem-se à administração da família, do lar, da terra, da mulher, dos homens velhos, e todos os mais fracos membros da família. Eles próprios ficam enterrados no pântano, uma estranha combinação em sua natureza que os mesmos homens que deveriam ser tão apreciadores do ócio, são tão avessos à paz. É costume dos estados conferirem aos chefes por contribuição voluntária e individual um presente de gado ou de grãos, que, quando aceitos como uma cortesia, suprem seus anseios. Eles são particularmente deleitados com presentes de tribos vizinhas, que são enviados não apenas pelos indivíduos mas também pelo estado, tais como cavalos de batalha selecionados, armaduras pesadas, arreios ricamente enfeitados e laços de pescoço. Nós ensinamos agora a eles a aceitarem dinheiro também.
Arranjo de suas Cidades. Moradias Subterrâneas
É bastante conhecido que as nações da Germânia não têm cidades e que eles realmente nem mesmo toleram moradias rigorosamente adjacentes. Eles vivem dispersos e distanciadamente, no momento em que uma nascente, um prado, ou uma floresta os atraiu. Suas vilas eles não arranjam ao nosso estilo, com as construções conectadas e ligadas juntas, mas toda pessoa rodeia sua moradia com um espaço aberto, ou como uma precaução contra desastres, ou porque eles não sabem como construir. Nenhum uso é feito por eles de pedra ou cerâmica; eles empregam madeira para todas as finalidades, massas grosseiras sem ornamento ou atratividade. Algumas partes de suas construções eles colorem mais cuidadosamente com uma argila tão clara e brilhante que assemelha-se a pintura, ou um desenho colorido. Eles estão habituados também a escavar cavernas subterrâneas, e amontoar nelas grande quantidade de esterco, abrigando-o do inverno e como um recipiente da produção anual, pelo qual tais locais eles abrandam o rigor do frio. E aproximando-se um inimigo, ele assola o acessível país, enquanto o que está escondido e enterrado não é sabido existir, ou escapa dele a realidade que tem que ser procurada.
Vestuário
Todos eles envolvem-se em um manto que é preso com um broche, ou, se este não está disponível, com um espinho, deixando o resto de seu corpo exposto. Eles passam o dia inteiro nos fornos perto do fogo. Os mais ricos são distinguidos por um vestuário que não é esvoaçante como aquele de Sarmatae e Parthi, mas é apertado, e exibe cada membro. Eles também vestem as peles de animais selvagens; as tribos do Reno e Danúbio em uma maneira descuidada, aqueles do interior com mais elegância, quando não obtendo outra roupa através do comércio. Estes selecionam certos animais, as peles dos quais eles tiram e as diversificam com as peles com pintas dos animais selvagens, a produção do oceano externo, e dos mares desconhecidos para nós. As mulheres tem o mesmo vestuário que os homens exceto que elas geralmente se envolvem em mantos brancos, que elas bordam de lilás, e realmente não alongam a parte superior de sua roupa em mangas. A parte superior e inferior do braço estão assim despidas, e a parte mais próxima ao seio está também exposta.
Leis de Casamento
O código de casamento, entretanto, é rigoroso, e de fato nenhuma parte de sua conduta é mais louvável. Quase sozinho entre bárbaros eles estão satisfeitos com uma esposa, exceto muitos poucos entre eles, e estes não pela sensualidade, mas porque sua descendência nobre provocam para eles muitas ofertas de matrimônio. A esposa não traz um dote para o marido, mas o marido para a esposa. Os pais e parentes estão presentes, e passam por sua apreciação os presentes de casamento, presentes não significando agradar o gosto da mulher, nem tais com que uma noiva se enfeitaria, mas bois, cavalo de batalha equipado, um escudo, uma lança e uma espada. Com estes presentes a esposa é desposada, e ela própria por sua vez traz ao seu marido um presente de armas. Isto eles contam como seu mais forte vínculo de união, estes seus sagrados mistérios, estes seus deuses de casamento.
A fim de que a mulher considere se agüenta nada mais além de ambições por nobres cavalos de batalha e perigos de guerra, ela é relembrada durante a cerimônia que celebra o casamento que ela é a companheira de seu marido na labuta e perigo, destinada a sofrer e encarar com ele igualmente ambos na guerra. Os bois emparelhados, o cavalo de guerra com arreios, o presente das armas evidenciam este fato. Ela deve viver e morrer com o sentimento de que está recebendo o que ela deve legar para seus filhos sem ofuscar nem depreciar o que as futuras noras devem receber, e deve ser passado adiante para seus netos.
Assim com sua virtude protegida eles vivem incorruptíveis pelas tentações de shows populares ou o estímulo de festas. Correspondência secreta é igualmente desconhecido por homens e mulheres. Muito raro para uma população numerosa é o adultério, para o qual a punição é imediata, e sob o controle do marido. Tendo o cabelo cortado da mulher infiel e despi-la deixando-a nua, ele a expulsa de casa na presença dos parentes dela, e então a açoita através de toda a aldeia. A perda da castidade não sofre nenhuma clemência; nem beleza, juventude, nem riqueza obterão as culpadas um marido. Ninguém na Germânia ri de imoralidade, nem eles classificam como costume corromper ou ser corrompido. Ainda melhor é a condição daqueles estados onde apenas donzelas são dadas em casamento, e onde as esperanças e expectativas de uma noiva são então afinal limitadas. Elas recebem um marido, como tendo um corpo e uma vida, que elas devem ter nenhum pensamento a mais, nada mais a ser alcançado, e devem amar nem tanto o marido mas a condição de estar casada. Limitar o número de crianças ou destruir quaisquer de suas descendências subseqüentes é considerado infame, e bons hábitos são aqui mais eficazes do que boas leis em outro lugar.
Suas Crianças. Leis de Sucessão
Em todo lar as crianças, nuas e imundas, crescem com esta ossatura e membros robustos que nós tanto admiramos. Toda mãe amamenta por si própria sua prole e nunca incumbe para tanto criadas e enfermeiras. O senhor não é distinguido do escravo por ser educado com maior delicadeza. Ambos vivem no meio dos mesmos bandos e dormem no mesmo chão até os nascidos de ventre livre serem distinguidos pela idade e reconhecidos pelo mérito. Os homens jovens casam-se tarde, e seu vigor é portanto não diminuído. Nem as donzelas são apressadas para o casamento; a mesma idade e similar estatura é requerida; bem combinados e vigorosos eles casam, e a prole reproduz a força dos pais. Os filhos da irmã são mantidos com tanta estima por seus tios como por seus pais; de fato, alguns consideram o parente como até mesmo mais sagrado e mais ligado, e preferem ele em receber convidados, acreditando assim assegurar um suporte mais forte nas afeições e um vínculo mais amplo para a família. Mas todas as crianças de um homem são herdeiros e sucessores e não existem testamentos. Não existindo nenhum herdeiro, os próximos em sucessão dos bens são os irmãos e tios de ambos os lados. Quanto mais parentes ele tem, mais numerosos seus parentescos, e mais digna é sua velhice; nem existem quaisquer vantagens na falta de filhos.
Rixas Hereditárias - Penas por Homicídio. Hospitalidade
É um dever entre eles adotar as rixas bem como as amizades de um pai ou parente. Estas rixas não são implacáveis; até mesmo homicídio sofre a pena de pagamento de um certo número de gado e de carneiros, e a satisfação é aceita pela família inteira, muito por imposição do estado, uma vez que rixas são perigosas proporcionalmente à liberdade das pessoas.
Nenhuma nação abandona-se profusamente a entretenimentos e hospitalidade. Excluir qualquer ser humano do seu teto é considerado ímpio; todo Germânico, de acordo com seus recursos, recebe seu convidado com uma mesa bem guarnecida. Quando seus suprimentos estão esgotados, ele que era o anfitrião agora torna-se o guia e acompanhante para hospitalidade adicional, e sem convite eles vão para a próxima casa. Não importa; eles são acolhidos com igual cordialidade. Nenhum é distinguido entre um conhecido ou um estranho, quanto aos direitos de hospitalidade. É usual dar ao convidado que parte, tudo o que ele pedir, e um presente em troca é perguntado com um pouco de hesitação. Eles são grandemente fascinados por presentes, mas eles não esperam nada em troca pelo que dão, nem sentem qualquer obrigação pelo que recebem.
Hábitos de vida
Acordando do sono, que eles geralmente prolongam até tardes horas do dia, eles tomam um banho, mais freqüentemente de água quente, que convém a um país onde o inverno é a mais longa das estações. Após seus banhos eles têm sua refeição, cada um tendo um assento em separado e uma mesa para si próprio. Então eles vão armados para seus negócios, ou não menos freqüentemente a suas reuniões festivas. Passar um dia e uma noite inteiras bebendo não difama ninguém. Suas brigas, como deve esperar-se de pessoas embriagadas, são raramente resolvidas com meros insultos, mas normalmente com ferimentos e derramamento de sangue. Demais há em suas festas geralmente conversas de reconciliação de inimigos, de formação de alianças matrimoniais, de escolha de chefes e finalmente até mesmo na paz e na guerra, por eles pensarem que em nenhum período está a mente mais aberta para simplicidade de propósito ou mais animada a nobres aspirações. Uma raça sem tampouco astúcia natural ou adquirida, eles expoem seus pensamentos secretos na liberdade da festividade. Assim os pensamentos de todos têm sido descobertos e revelados, a discussão é reavidada no dia seguinte, e de cada ocasião provém sua vantagem peculiar. Eles ponderam quando não têm nenhuma capacidade de dissimular; tomam uma resolução quando o erro é impossível.
Comida
Um licor para beber é feito de cevada ou outro grão, e fermentado até uma certa semelhança com o vinho. Os moradores das margens dos rios também compram vinho. Sua comida é de simples qualidade, consistindo de frutos silvestres, carne de caça fresca e leite coalhado. Eles saciam sua fome sem preparações elaboradas ou guloseimas. Em saciar sua sede eles são igualmente moderados. Se você satisfizer o amor deles por beber suprindo-os com tanto quanto desejam, eles serão dominados por seus próprios vícios tão facilmente quanto pelas armas de um inimigo.
Esportes. Paixão por Jogos de Azar
Sempre o mesmo tipo de espetáculo é exibido em toda reunião. Jovens nus praticam o esporte aglomerados na dança em meio a espadas e lanças que ameaçam suas vidas. Experiência dão a eles destreza e destreza por sua vez graça; proveito ou pagamento estão fora de questão; entretanto a despreocupação em seu passatempo, é recompensada pelo prazer dos espectadores. Estranhamente o bastante eles fazem dos jogos de azar uma séria ocupação até mesmo quando sóbrios, e tão aventureiros eles são em ganhar ou perder, que, quando qualquer outro recurso esvaiu-se, no derradeiro e decisivo lance eles apostam a liberdade de suas próprias pessoas. O perdedor entra na escravidão voluntária; embora mais jovem e mais forte, ele próprio sofre em ser amarrado e vendido. Sua teimosa é tal na persistência em um mau hábito; eles próprios a chamam de honra. De escravos deste tipo os proprietários desfazem-se por meio comercial, e também para isentar a si próprios do escândalo de tal vitória.
Escravidão
Os outros escravos não são empregados conforme nossa maneira através de deveres domésticos distintos atribuídos a eles, mas cada um tem a administração de uma casa e lar por si próprio. O patrão exige uma certa quantidade de grãos, gado, roupas, como ele faria de um inquilino, e este é o limite da submissão. Todas as outras funções domésticas são cumpridas pela mulher e crianças. Bater em escravos ou puni-los com cativeiro ou com trabalho pesado é de rara ocorrência. Eles freqüentemente os matam, não impondo austero castigo disciplinar, mas no impulso da cólera, assim como fariam a um inimigo, apenas feito com impunidade. Os escravos libertos não tomam posições muito superiores às dos escravos, e são raramente de qualquer relevância na família, nunca no estado, com exceção daquelas tribos que são regidas por reis. Lá de fato eles progridem sobre os homens livres e nobres; em outro lugar a inferioridade dos escravos libertos representa a liberdade do estado.
Ocupação com o Cultivo da Terra
De emprestar dinheiro a juros e aumentá-lo pela formação de juros eles não conhecem nada - a mais eficiente proteção do que se fosse proibido.
Terra proporcionada ao número de habitantes é ocupada por toda comunidade alternadamente, e depois dividida entre eles de acordo com a classe. Uma vasta extensão de planícies torna fácil a partição. Eles até adicionam campos todos os anos, e têm ainda mais terra do que o suficiente; com a fertilidade e extensão de seu solo, eles não se empenham laboriosamente em plantar pomares, cercar prados e irrigar jardins. Cereal é o único produto requerido da terra; consequentemente o ano mesmo não é dividido por eles em tantas estações como conosco. Inverno, primavera e verão têm ambos um significado e um nome; o nome e bênçãos do outono são igualmente desconhecidos.
Rituais Fúnebres
Em seus funerais não há nenhuma pompa; eles simplesmente seguem o costume de queimar os corpos de homens ilustres com certas espécies de madeira. Eles não empilham peças de roupa ou especiarias na pira funerária. As armas do homem morto e em alguns casos seu cavalo são consignados ao fogo. Um morro gramado forma a sepultura. Monumentos com seu grandiosamente elaborado esplendor eles rejeitam como opressivos para o morto. Lágrimas e lamentações eles logo descartam; tristeza e pesar entretanto lentamente. Considera-se convir para as mulheres chorar, para os homens lembrar do morto.
De modo que no geral esta é a explanação que eu recebi da origem e costumes de todo o povo Germânico.